Das certezas que ficam

Deveria existir uma palavra bonita para a sensação de sentir saudade de algo ainda recente e doloroso mas que, ainda assim, consegue encher o coração com aquele quentinho que só as coisas boas e simples podem oferecer. Quentinho esse que dá a certeza – se é que se pode afirmar que alguma coisa é certa nessa vida – sobre o nosso poder de deixar um pouco de nós mesmos nos outros. Isso é inevitável para qualquer um que tenha doado o mínimo de si e trocado alguma experiência com outra pessoa.

Fica um pouco da mania de coçar os olhos quando o sono bate, de desviar daquela rua pra cortar caminho, beber cerveja em um bar mais barato, mencionar fulano ou sicrano para exemplificar uma situação X. Além do cheiro, é claro, e da gargalhada gostosa que se misturou um pouco à sua, mais contida. Ficam as histórias contadas pelo outro, as experiências de vida, os filmes vistos, as músicas cantadas. Preconceitos derrubados. E, por esse processo ser tão fluido e indefinido, você percebe que ficou um pouquinho de você na outra pessoa também: até porque, convenhamos, para onde mais teria ido aquela sua parte que não aparece mais em você? Esse pedaço se vai… justamente para deixar espaço para novas marcas entrarem.

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