A paz do fim

Os finais, mais do que os começos, têm um quê de singularidade. Nem sempre se tem certeza do início de alguma coisa. Quantos começos foram atropelados por aí pelas variáveis da vida? Você conheceu aquela pessoa super legal e marcou de tomar alguma coisa com ela no fim de semana seguinte – até descobrir que ela ia se mudar pro outro lado do planeta 3 dias depois. Recebeu uma proposta de emprego bem bacana e até passou na entrevista, mas aí o horário da faculdade mudou e ficou inviável aceitar o trabalho. Coincidência? Forças do universo? Destino? Fato é que, ao longo dos anos, algumas oportunidades vão se esvaindo e deixando de se concretizar.
Bem diferente do final. O término, ah, esse se concretiza. Não tem erro: você se despede, dá um abraço, olha com um jeito sofrido e sente no fundo do seu coração e em cada parte do seu corpo que aquele é último momento daquela história. É bem verdade que, em muitos casos, a ficha não cai logo de cara. Talvez só mais tarde, no aconchego do travesseiro ou com a água do chuveiro batendo no rosto é que as memórias vão aflorar e, as lágrimas, escorrer.
É claro que, tratando-se de emoções e relações, nada é cem por cento pontual. O fim da história, mesmo, talvez nunca venha: afinal, “todo sopro que apaga uma chama, reacende o que for pra ficar” e as lembranças podem sempre vir à tona e adicionar uma vírgula aonde se achava que existia um ponto. Mas serão sentimentos póstumos, individuais, que farão parte de um outro caminho a ser trilhado. O limite do fim vem justamente com o momento da despedida, da batida de porta, do “cada um vai para um lado”, dos dois beijinhos cordiais no lugar de duas bocas apaixonadas. No momento, em si, até pode vir o sentimento de dor, de vazio, de desamparo. Mas é só depois da despedida que vem a paz. Um peso das suas costas que foi retirado justamente para dar lugar a novas bagagens.
Por isso, é importante saber reconhecer a beleza de cada final e aproveitar os sentimentos que virão junto com o término: eles são únicos. Mais do que isso, que se confie no poder do Universo e da certeza de que, quando uma coisa acaba, é para dar lugar a uma outra bem melhor e mais adequada. No mais, para não esquecer: “every new beginning comes from some other beginnig’s end“.
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2 comentários sobre “A paz do fim

  1. Eu tive um carinho especial pelo tipo de reflexão que você trouxe nesse texto. Nunca tinha analisado a situação por esse prisma e, na verdade, acredito piamente no que diz. A concretude dos términos nos faz desabar bem mais do que a incerteza dos inícios. E é tudo tão triste, tão difícil… A gente só se dá conta da verdade trazida pelo seu último parágrafo depois de sentir toda essa dor, né? Amei, amei, amei! Continue escrevendo, ok? ❤

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    1. Demorei um pouquinho pra responder seu comentário porque, na verdade, esse texto acabou me tocando de uma forma bizarra… E é bem verdade essa questão da “concretude dos términos”, né? Fiquei MUITO feliz de ter te levado a alguma reflexão, de certa forma. 🙂 Obrigada pelo comentário e pelo incentivo! Continue vindo aqui. ❤

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