Diário de memórias | 01

Não me lembro do céu de janeiro. Não me lembro da sensação de colocar o pé para fora de casa e já estar pingando de suor. Não me lembro do calor, da pele bronzeada, do perfume de mandacaru, das unhas dos pés pintadas de vermelho, do cabelo preso em um rabo de cavalo bem alto, dos vestidos soltinhos. Sorrisos distribuídos gratuitamente pelas janelas dos ônibus e pelas calçadas. Noites viradas, noites mal dormidas, dias acordada, sonhos vividos.

O ceú de janeiro teria inveja do azul clarinho do céu de junho. O inverno dese ano veio na medida certa: noites frias para esfriar a cabeça e dias claros para pôr os pensamentos em ordem.

Quando os acontecimentos daqui de dentro parecem encaixar perfeitamente com o clima lá fora, só me resta acreditar que tudo isso foi obra da natureza. Fica um pouco mais fácil pensar que tudo isso faz parte de um ciclo e que, em alguns meses, a primavera estará de volta para trazer o equilíbrio às emoções.

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